Posts Marcados Com: vida

Dias vão, outros vem…

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Final de ano, mais um ciclo que se encerra. São mais 365 dias que ficam no passado e entram para a história de nossas vidas. Momento de renovação, de faxina geral, de sacudir a poeira, levantar a cabeça e rodar a baiana. Acredito que não havia melhor hora para reinaugurar este blog. Um pouco nostálgico, talvez, mas agora de vida nova. A França e o sonho francês fazem agora parte da minha história. Pedras fundamentais para o meu crescimento e amadurecimento, que estarão guardados com carinho no meu baú para uma revisitada sempre que preciso for.

Depois de colocada essa, que considero a última pá de cimento em cima disso tudo, revestida com o sorriso e a alegria das terras brasileiras (e com a certeza de que melhor lugar não há), com a proximidade do verão, do ano-novo e do carnaval, posso dizer que estou realizada e plenamente feliz. Feliz pelas conquistas passadas, realizada com o presente e com uma expectativa imensa de futuro, seja ele profissional, pessoal ou espiritual. Seja bem vindo 2015, estou pronta para o que der e vier. Que eu possa continuar a ser brindada com as boas novas da vida. Que as tristezas e decepções que aparecerem (sim, elas são inevitáveis), cheguem de mansinho, embrulhadas em um papel fino e charmoso, com um laço dourado, e que seu prenúncio e anunciação não sejam assim tão devastadores.

Que a vida continue a me proporcionar experiências únicas e pessoas incríveis, como as que vivenciei nesses dois anos no exterior. Que meus olhos não se acostumem com a paisagem, e que a cada novo passeio, mesmo que sejam pelos mesmos velhos lugares, que consiga enxergar novas formas, perspectivas e cores. Que eu siga nessa grande roda gigante da vida, ora voando, ora colada ao chão, sem perder um detalhe sequer. Que o frio na barriga e o rubor nas bochechas nunca me abandonem. Enfim, que eu nunca perca a coragem e o tesão pela vida. Esse é o meu desejo para mim e para vocês!

OBS.: tiro a poeira deste blog, mas o mantenho com o mesmo nome. Afinal, um sonho francês não morre jamais!

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Escrever, o que é o que é meu irmão?

Escrever é se desnudar para um estranho. É se entregar para o outro sem reservas, sem medos e sem amarras. Um outro que nem mesmo sabemos quem é, o que pensa, como vive. Um outro sem rosto, sem formas e sem expressão.Um outro que invade, vasculha e põe ao chão nossas vidas. Destrói nossos sonhos e faz desmoronar nosso castelinho de areia, cuidadosamente erguido.

Escrever é se deixar invadir. É experimentar a sensação violenta de um estupro, de esvaziamento, de dor. É estar sempre na zona perigosa do oceano, no lugar onde as ondas batem, quebram, rebentam. É estar sozinho, desamparado, como um bicho acuado.

Escrever não é não sentir medo. Mais, muito mais do que isso, escrever é publicar seus medos para o julgamento alheio. É dar a cara a tapa conscientemente. É caminhar tentando se equilibrar no escuro. É andar sempre na corda bamba. É se sentir só mesmo rodeado de gente.

Escrever não é bonito, não é fácil nem indolor. Escrever é sofrer, é gemer, é tremer. Escrever é agonia, é caos, é desespero. Escrever é insulto, é palavrão, é xingamento. Escrever é sufoco, é vertigem, é sussurro. Escrever é amparar, é amortecer, é segurar.

Escrever também, é grito, é liberdade, é vida!

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Finais felizes não me comovem

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Observando outros blogs de viagens, cheguei a conclusão que o meu blog é diferente. Ao invés de compartilhar fotos de belas paisagens, sorrisos e abraços, prefiro compartilhar meus sentimentos mais íntimos, a visão, a percepção que tenho das pessoas, das coisas, das ações e reações. Gosto de analisar o que há de bom por aqui sem perder o foco, sem me deslumbrar, e sem deixar de enxergar que há coisas boas também por aí. Acho mais sincero, mais junto. Sem tanta luz, tanta alegria, tanta fantasia.

Pessoas que parecem ser 100% do tempo felizes me enjoam. Esse teatrinho de felicidade me embrulha o estômago. Me nego a escrever um blog de coisas felizes, cheio de mentiras, de amenidades. A vida não é amena (pelo menos a minha não). E nem espero isso dela. Uma vida onde só existem coisas boas e pessoas felizes não me serve. Eu dispenso! Simples assim!

Um pouco de tristeza faz bem também. Faz bem para o corpo e para a alma. Ensina a crescer. Ensina a ter um olhar mais crítico, uma contemplação mais apurada.

E não adianta tentar dizer o contrário, viver é um eterno decepcionar-se. Tudo nos decepciona. Mais cedo ou mais tarde. Isso não é bom e nem ruim, apenas faz parte da vida. Não adianta tentar se esconder. As decepções vão te alcançar. Afinal de contas, o mundo corre.

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Pergunta cretina!

Desde que cheguei na França, as pessoas me perguntam como estou, se estou bem ambientada. Elas me jogam esse questionamento na cara, sem se dar conta que essa é uma das perguntas mais difíceis de serem respondidas. Sabe aquela interrogação que a professora lançava para a turma, e todos se encolhiam na cadeira para que ela não os visse? Pois é exatamente assim que me sinto toda vez que alguém me faz essa pergunta cretina.

É muito difícil dimensionar seu grau de adaptação em um lugar diferente. Muito mesmo! Simplesmente não sei o que responder. Fico procurando uma resposta que possa satisfazer a pessoa e que não vá contra meus sentimentos também. Essa pergunta engloba quase uma obrigação de uma resposta feliz, de uma adaptação tranquila e passiva. Infelizmente as coisas não são bem assim. O engraçado é que meu estado de espírito muda a cada dia, a cada hora, a cada minuto. Não sou um ser humano estável. Mudo constantemente.

Há dias em que me sinto quase francesa. Realmente feliz, plena e completamente bem adaptada. Há outros em que me sinto um peixe fora d’água, em um mundo hostil com pessoas estranhas, que acham um absurdo o hábito de escovar os dentes depois do almoço.

Já vivi muitas coisas por aqui. Muitas tristes, principalmente nos primeiros meses, quando era comum pegar no sono chorando, ou acordar de madrugada porque jurava ter ouvido minha mãe me chamando. Outras tantas felizes, geralmente por coisas simples, desafios diários que eu consegui superar. O fato de cozinhar é um bom exemplo de momento simples de felicidade.

Portanto, parem de fazer esse tipo de pergunta, ok! Não sou uma pessoa imutável. Não tenho uma resposta correta para esse questionamento. Simplesmente deixo a vida me levar.

http://www.youtube.com/watch?v=oTREAvZbmME

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Loucura, loucura, loucura!

Sinto que a loucura está a me rondar, a me cercar, a me circundar. Ela me espreita pelas ruelas sem saída da vida. Ela espera um momento de distração para me abraçar, para me dar o enlace final e me carregar com ela. E eu não acho ruim. Ao contrário, gosto da loucura e me fascina os loucos. A vida precisa de loucura para acontecer, para fluir, para transcender. De gente “sã” basta os engravatados, os doutores, os burocratas. Deixo para eles essa visão chata e trivial da vida.

Confesso que aqui, já vivi algumas loucuras inimagináveis, todas impublicáveis (não conto nem sob tortura). Experiências que levarei para a vida toda. Algumas vão servir de lição para não serem jamais repetidas e outras servem de estímulo para infringir as normas outra vez.

Afinal, o que são os loucos se não os que realmente vivem na sua plenitude? Os que não se preocupam com a opinião, o julgamento alheio. Aqueles que vivem a vida como um jogo de roleta russa, onde cada movimento pode ser o último, cada ação pode ser fatal, cada passo pode ser sem volta. Sem contar que a insanidade é totalmente relativa.

Coincidência ou não, já é consenso que o sexto andar da minha residência universitária foi apelidado de “andar dos loucos”. Pois sim, eu estou nele. Desde que cheguei, acreditava ser eu a exceção à regra por aqui, mas agora, tenho cá minhas dúvidas.

Como muito bem disse o velho safado Bukowski: “O indivíduo bem equilibrado é insano”.

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