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Sonho, enigma nosso de cada noite

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Eu era uma pessoa sem sonhos. Sim, eram muito raros e enigmáticos os meus sonhos. Me dava ao luxo de ter uns quatro por ano, e só. No começo me assustava. Pensava com meus botões, como pode alguém não sonhar? Dormir uma noite inteira e ao acordar não se lembrar de ter tido um momento sequer de fantasia, de ficção? Nem um pequeno flash de lembrança? É, realmente terrificante. Depois me acostumei, me acostumei a ser uma mulher sem sonhos.

Tudo bem, eu pensava. Não sonho dormindo, mas compenso sonhando acordada. Sempre tive a mania de sonhar acordada. Talvez por isso seja privada de sonhos noturnos. Gasto toda a minha cota de sonhos durante o dia e à noite minha cabeça se esvazia por completo. Pode ser, pode ser, imaginava.

Sentia uma inveja infantil ao ouvir as pessoas contarem seus sonhos loucos e absurdos; de gente que escreve textos e livros inteiros inspirado em sonhos, com enredos impressionantes (Frankestein é um baita exemplo – pesadelo maravilhoso de Mary Shelley). O filme “O Exterminador do Futuro”, também foi concebido a partir de um pesadelo. Mesmo invenções, descobertas científicas, como a tabela periódica e a estrutura do código genético, só foram possíveis através de sonhos reveladores. Como esquecer a maçã que acordou Isaac Newton de seu sonho e o fez decifrar a teoria da gravidade (verdade ou mito, pouco importa).

Sempre adorei livrinhos de sonhos. Lembro que meu pai tinha uns três (que ainda estão lá em casa), hoje velhos e mofados, mas que guardam em si as lembranças do meu velho, e por isso, todos os sonhos do mundo. Quando criança ficava tão feliz ao sonhar, que corria para o colo do meu pai, que com o livrinho do significado dos sonhos, era o único que conseguia decifrá-los. Ficávamos horas rindo e “descobrindo” os diversos significados intrínsecos nos meus (raros) sonhos de menina. Claro que escolhíamos sempre o mais alegre, o que trazia coisas boas. Sai pra lá mau agouro!

Mas o mais fascinante é que depois de desembarcar em território francês meus sonhos perdidos voltaram a me embalar. Como mágica, quase todas as manhãs, acordo com um enredo do que foi a minha noite na cabeça. E não raro, acordo mesmo assustada, com ações realmente absurdas, que todo o bom sonho deve conter. Por ironia do destino talvez, foi a França que devolveu meus sonhos! A França que me permitiu voltar a sonhar! E que continue assim, estou adorando ser uma mulher de sonhos.

Merci beaucoup, France!

Categorias: França, Sonhos, Viagens | Tags: , , , , , | Deixe um comentário

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