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França, nem fui embora e já estou com saudade!

Gratidão é a palavra que resume esse sonho!! :)

Gratidão é a palavra que resume esse sonho!! 🙂

Quando as pessoas me diziam que sentiria falta desse lugar, recebia como uma piada de mau gosto. Imagina eu, logo eu, sentir falta desse amontoado de terras ao sul da França! Sentir falta dessa gente (muitas vezes) grosseira e absurdamente ocupada, que solta um désolé a cada duas frases?

Pois é, cá estou eu com esse sentimento de nostalgia por tudo o que já passei nessa minha estadia francesa e saudosa ao me dar conta que em poucos dias não estarei mais aqui. E quem sabe, nunca mais voltarei a esse lugar! Não mais sentirei o vento Mistral na cara, não mais terei o sol do Mediterrâneo para me pintar nas belíssimas praias que circundam a região. Não mais descobrirei caminhos novos e lugares próximos (baratos) e lindos para visitar. Não mais ouvirei francês nas ruas. Não mais terei vizinhos franceses, árabes, espanhóis, italianos, africanos, chineses, entre tantos outros.

É, acho que não só me acostumei com a rabugice francesa, como importei um pouco dela a minha vida. Me acostumei a comprar baguette na boulangerie ou no mercado mesmo e sair com ela debaixo do braço. Estou assoando o nariz à la Francesa, com muito barulho (sem nojinho). Me divirto em ficar na dúvida na prateleira dos vinhos, queijos e iogurtes, com tamanha variedade, por um preço bem pequeno.

É França, foram dois anos de caminhada. Dois anos que deixaram marcas profundas e inalteráveis dentro de mim. Definitivamente, chegando ao fim desse percurso, tenho a certeza de que não sou a mesma menina que saiu do Brasil, mais precisamente de Caxias do Sul, em 2012.

Sinto que cresci, amadureci muito profissional e pessoalmente. Não me apavoro mais com problemas que me paralisavam nesse meu passado recente. Aprendi que se eu não correr atrás das minhas coisas, dos meus objetivos e vontades, ninguém fará isso por mim. Aprendi a lutar pelo que eu quero e me permitir sentir orgulho das minhas próprias conquistas, sem falsa modéstia. Todo o sofrimento que passei (pq sofri tipo “Maria do Bairro” nesse lugar), serviu para me forjar um ser humano melhor. Por isso sou grata à França, que me ensinou o seu jeito de ver e perceber o mundo. E a partir daí, descobri que não existe só uma forma de enxergar as coisas, e que fora daí (do Brasil) existem coisas maravilhosas para se descobrir.

Agora entendo quando diziam que quem faz intercâmbio uma vez nunca mais vai se sentir inteiro em um lugar só. Vai estar sempre faltando um pedacinho. Essa é a grande ironia dessa aventura toda. Sei que quando chegar ao Brasil é vida que segue, mas a França nunca mais sairá do meu peito. La Garde vai ser sempre o meu segundo lar, o quintal da minha casa, afinal, La Garde é logo ali, posso sentir…

 

PS.: Lembram quando eu dizia: “Nunca vou sentir saudade daqui. Isso é ridículo. Podem me internar se isso acontecer”. É gente, reserva lugar no manicômio que acho que enlouqueci!!

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Para alguém especial

Vocês devem ter estranhado que ontem não falei do aniversário do Ronaldinho (lindo) Gaúcho. Não falei porque hoje uma pessoa MUITO mais importante e presente na minha vida está de aniversário. Alguém que mesmo de longe sinto perto, mesmo de longe torce por mim, mesmo de longe consegue demonstrar todo o carinho e amor que sente por mim.

Hoje quero muito agradecer. Quero agradecer por ela ter cruzado o meu caminho, em um momento tão improvável. Agradecer pela paciência que ela tem comigo. Agradecer pelo amor que recebo de maneira tão bonita e singela, um amor que vem de forma gratuita todos os dias; seja com um elogio logo cedo ou antes de dormir; seja com uma piada que chega de mansinho para me fazer rir quando eu mais preciso; seja com uma canção cantarolada fora do tom, mas que tem um significado enorme para mim e se torna a melodia mais linda que meus ouvidos já escutaram; seja simplesmente ao ouvir você contando o seu dia, e mesmo eu não estando presente, me inserindo nele de algum jeito.

Como tão bem traduziu Fabrício Carpinejar, quero caminhar de olhos dados contigo, amor! Quero ter você sempre por perto, poder te olhar, te admirar e sentir para sempre esse orgulho que tenho de ti. Quero que sejas simplesmente quem és para sempre, pois te amo desse jeitinho.

Neste 22 de março de 2014, dia do teu aniversário, Iuri, quero te desejar só coisas boas. Que o seu dia seja maravilhoso, rodeado de pessoas que te amam, alegrias e surpresas. Que esse seja o primeiro de muitos aniversários que virão, e que em todos os próximos possamos estar juntos fisicamente também, porque em pensamento, espírito e coração, nunca nos separamos de verdade.

 

Feliz aniversário!

Te amo demais… P.S ❤

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Meu pai, sinônimo de simplicidade e alegria

Saudade!!!

Saudade!!!

É com um nó na alma que venho falar  do meu pai. Figura muito especial na minha vida, que me deixou há 13 anos e hoje estaria fazendo aniversário.

Por essas ironias da vida, ele que sempre foi o brincalhão, o animador das festas de família, a presença que garantia as gargalhadas, completaria 69 anos. Isso é piada pronta Véio Gubino (era assim que eu o chamava). Aposto que você também está rindo aí de cima!

Brincadeiras à parte, meu pai e eu sempre fomos muito parecidos. Talvez por isso as nossas brigas. Oh gênio difícil esse nosso! Até o nosso tipo sanguíneo é o mesmo. Sempre me orgulhei disso desde o momento em que soube (acredito que por ser filha adotiva, descobrir esse laço me fez sentir ainda mais perto do meu pai).

Lembro com carinho do Véio Gubino tentando me ensinar matemática. Uma das coisas mais difíceis do mundo. Ele não tinha muita paciência para me esperar raciocinar sozinha (e demorava mesmo), então me dava a resposta logo e dizia para deixar tudo aquilo e ir com ele assistir televisão. Ordem que eu obedecia prontamente.

Lembro também do momento da noite em que ele fazia mágicas com um velho lenço. Sempre no final da mágica aparecia um chocolate. Eu nunca entendia de onde surgia, mas adorava comer, contrariando as recomendações da minha mãe.

Aliás, a gente se divertia ao contrariar ela. Meu pai nunca me bateu, a não ser em uma ou duas situações extremas – como o dia em que ele me levantou do chão pela orelha – eu mereci, admito. Mas ele sempre tentava impedir minha mãe de me bater. Quando ela me ameaçava eu corria para o colo dele, porque sabia que ali estaria segura.

Na hora de dormir, me divertia ao ouvir suas histórias. Histórias que ele inventava na hora e que eram muito mais divertidas do que qualquer história de livro. Pegava no sono muito bem acomodada em sua imensa barriga. Tão acomodada que muitas vezes fazia xixi em cima dele, coitado.

Era nos braços dele que eu me refugiava quando tinha qualquer dor. Até hoje acredito que ele tinha mãos mágicas, que curavam tudo sempre. Na verdade, penso que o amor e o carinho curam tudo sempre. E isso ele tinha de sobra!

Adorava passar minhas tardes com ele na churrascaria. Ele fazia as melhores comidas para me agradar e tudo virava uma grande brincadeira. Corríamos ao redor das mesas. Chorávamos de rir assistindo os episódios do Chaves. Cantávamos enquanto ele tocava um violão. Nos divertíamos muito juntos. Meu pai era uma criança grande. Tinha o coração puro e a alegria sapeca de uma criança.

 

Frases como:

“Ana fica quietinha, obedece o pai!”

“Meu Deus, o que vai ser dessa guria?”

Constatações como:

“Essa guria vai dar trabalho!”

“É só pagode que essa guria ouve?”

Eram proferidas por ele à exaustão, demonstrando toda a preocupação e o zelo que ele tinha comigo (confesso que o gosto musical não mudou).

 

Convivi apenas 14 anos com ele. Me entristece saber que não tive tempo nem maturidade suficiente na época para entender algumas coisas. Espero que ele esteja em paz, em algum lugar melhor e mais tranquilo. E que um dia possamos no reencontrar e rir de tudo isso.

 

Véio Gubino, te amo e sempre vou te amar! Obrigado por ter sido simplesmente “O MELHOR PAI DE TODOS OS MUNDOS!”

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