Viagens

Dias vão, outros vem…

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Final de ano, mais um ciclo que se encerra. São mais 365 dias que ficam no passado e entram para a história de nossas vidas. Momento de renovação, de faxina geral, de sacudir a poeira, levantar a cabeça e rodar a baiana. Acredito que não havia melhor hora para reinaugurar este blog. Um pouco nostálgico, talvez, mas agora de vida nova. A França e o sonho francês fazem agora parte da minha história. Pedras fundamentais para o meu crescimento e amadurecimento, que estarão guardados com carinho no meu baú para uma revisitada sempre que preciso for.

Depois de colocada essa, que considero a última pá de cimento em cima disso tudo, revestida com o sorriso e a alegria das terras brasileiras (e com a certeza de que melhor lugar não há), com a proximidade do verão, do ano-novo e do carnaval, posso dizer que estou realizada e plenamente feliz. Feliz pelas conquistas passadas, realizada com o presente e com uma expectativa imensa de futuro, seja ele profissional, pessoal ou espiritual. Seja bem vindo 2015, estou pronta para o que der e vier. Que eu possa continuar a ser brindada com as boas novas da vida. Que as tristezas e decepções que aparecerem (sim, elas são inevitáveis), cheguem de mansinho, embrulhadas em um papel fino e charmoso, com um laço dourado, e que seu prenúncio e anunciação não sejam assim tão devastadores.

Que a vida continue a me proporcionar experiências únicas e pessoas incríveis, como as que vivenciei nesses dois anos no exterior. Que meus olhos não se acostumem com a paisagem, e que a cada novo passeio, mesmo que sejam pelos mesmos velhos lugares, que consiga enxergar novas formas, perspectivas e cores. Que eu siga nessa grande roda gigante da vida, ora voando, ora colada ao chão, sem perder um detalhe sequer. Que o frio na barriga e o rubor nas bochechas nunca me abandonem. Enfim, que eu nunca perca a coragem e o tesão pela vida. Esse é o meu desejo para mim e para vocês!

OBS.: tiro a poeira deste blog, mas o mantenho com o mesmo nome. Afinal, um sonho francês não morre jamais!

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França, nem fui embora e já estou com saudade!

Gratidão é a palavra que resume esse sonho!! :)

Gratidão é a palavra que resume esse sonho!! 🙂

Quando as pessoas me diziam que sentiria falta desse lugar, recebia como uma piada de mau gosto. Imagina eu, logo eu, sentir falta desse amontoado de terras ao sul da França! Sentir falta dessa gente (muitas vezes) grosseira e absurdamente ocupada, que solta um désolé a cada duas frases?

Pois é, cá estou eu com esse sentimento de nostalgia por tudo o que já passei nessa minha estadia francesa e saudosa ao me dar conta que em poucos dias não estarei mais aqui. E quem sabe, nunca mais voltarei a esse lugar! Não mais sentirei o vento Mistral na cara, não mais terei o sol do Mediterrâneo para me pintar nas belíssimas praias que circundam a região. Não mais descobrirei caminhos novos e lugares próximos (baratos) e lindos para visitar. Não mais ouvirei francês nas ruas. Não mais terei vizinhos franceses, árabes, espanhóis, italianos, africanos, chineses, entre tantos outros.

É, acho que não só me acostumei com a rabugice francesa, como importei um pouco dela a minha vida. Me acostumei a comprar baguette na boulangerie ou no mercado mesmo e sair com ela debaixo do braço. Estou assoando o nariz à la Francesa, com muito barulho (sem nojinho). Me divirto em ficar na dúvida na prateleira dos vinhos, queijos e iogurtes, com tamanha variedade, por um preço bem pequeno.

É França, foram dois anos de caminhada. Dois anos que deixaram marcas profundas e inalteráveis dentro de mim. Definitivamente, chegando ao fim desse percurso, tenho a certeza de que não sou a mesma menina que saiu do Brasil, mais precisamente de Caxias do Sul, em 2012.

Sinto que cresci, amadureci muito profissional e pessoalmente. Não me apavoro mais com problemas que me paralisavam nesse meu passado recente. Aprendi que se eu não correr atrás das minhas coisas, dos meus objetivos e vontades, ninguém fará isso por mim. Aprendi a lutar pelo que eu quero e me permitir sentir orgulho das minhas próprias conquistas, sem falsa modéstia. Todo o sofrimento que passei (pq sofri tipo “Maria do Bairro” nesse lugar), serviu para me forjar um ser humano melhor. Por isso sou grata à França, que me ensinou o seu jeito de ver e perceber o mundo. E a partir daí, descobri que não existe só uma forma de enxergar as coisas, e que fora daí (do Brasil) existem coisas maravilhosas para se descobrir.

Agora entendo quando diziam que quem faz intercâmbio uma vez nunca mais vai se sentir inteiro em um lugar só. Vai estar sempre faltando um pedacinho. Essa é a grande ironia dessa aventura toda. Sei que quando chegar ao Brasil é vida que segue, mas a França nunca mais sairá do meu peito. La Garde vai ser sempre o meu segundo lar, o quintal da minha casa, afinal, La Garde é logo ali, posso sentir…

 

PS.: Lembram quando eu dizia: “Nunca vou sentir saudade daqui. Isso é ridículo. Podem me internar se isso acontecer”. É gente, reserva lugar no manicômio que acho que enlouqueci!!

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Marseille, ame ou odeie

Eu me apaixonei por esse cantinho de Brasil em terras francesas. Já tinha ouvido falar que Marseille era a mais latina das cidades francesas, “un petit Rio” navegando do lado do oceano de Napoleão.

Muitos a odeiam, justamente por esse caos (tão brasileiro) que ela apresenta. Dizem que ela é suja, violenta e barulhenta. Porém, seus desafetos têm que engolir essa que é a segunda maior e a cidade mais antiga da França, que apresenta o mais importante e o maior porto comercial do país.

A própria Marseillaise, hino nacional da França, vem de Marseille. A população local abraçou com entusiasmo a Revolução Francesa e 500 voluntários marcharam para Paris em 1792 para defender o governo revolucionário. Em sua marcha de Marselha a Paris cantavam uma canção que passou a ser conhecida como La Marseillaise.

Aconselho os turistas que visitam a região Provence-Alpes-Côte d’Azur a conhecerem Marseille. Não levem tão a sério os discursos contra a cidade, mas também não relaxem muito não! É verdade que me senti quase no Brasil, com pobreza e muitos pedintes nas ruas. A situação de segurança que temos ao andarmos pelas cidades francesas não é sentida em Marseille. Para mim foi realmente como estar no Brasil – e o que isso agrega de bom e de ruim – com pessoas alegres, falando alto e cantando nas ruas; diversos artistas espalhados pela cidade, apresentando o mais variado tipo de música e estilo, que mostra bem esse caldeirão cultural que Marseille se transformou, considerada Capital Europeia de Cultura em 2013.

É importante ressaltar também que estou mal acostumada em La Garde (onde moro), onde o pedestre tem sempre prioridade.  Atravesso a rua sem olhar para os lados, porque tenho certeza que os carros vão parar. Se duvidar, ainda fazem um aceno e desejam um bom dia! Em Marseille a situação é completamente diferente. Senti isso logo que saí da estação de trem, ao tentar atravessar a rua, fui obrigada a esperar os carros, que insistiam em não ceder passagem. Tem algo mais brasileiro que isso???

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Mas na primeira parada já fui presenteada com uma vista de tirar o fôlego, no Vieux Port, o cartão postal mais lindo da cidade; que serviu de inspiração para os pintores Paul Cézanne e Auguste Renoir. Onde fica também o bairro Le Panier, onde foram gravados diversos filmes e séries francesas, que abriga os mais antigos monumentos de Marseille e atrai diversos artesãos, com suas lojas de sabonetes e fábricas de bombons. Seu porto antigo e charmoso, de onde saem os barcos para os calanques e as ilhas Frioul – onde está localizado o Château d’If, uma antiga prisão onde o Conde de Monte Cristo foi encarcerado, no romance de Alexandre Dumas (são minhas próximas duas paradas).

O charmoso Vieux Port

O charmoso Vieux Port

A cidade tem igrejas lindas (visitei algumas delas), mas a principal é Notre-Dame de La Garde, que do alto do morro protege a cidade – construída por Napoleão II em 1864 – a basílica é um lugar lindo, dedicado exclusivamente à Virgem Maria, com uma virgem dourada de 9,70 metros no topo do edifício. Da esplanada, pode‑se admirar a mais bela vista de Marselha; a Catedral Notre-Dame de la Major, com edificação do século XII; e a abadia de Saint-Victor, do século V.

Notre-Dame de la Garde

Notre-Dame de la Garde

Abriga também o Museu das civilizações da Europa e do Mediterrâneo (MuCEM) e o Fort Saint-Jean; sem falar de suas praias e do clube Olympique de Marseille que, infelizmente não consegui visitar porque seu estádio (Vélodrome – construído em 1937 para a então terceira Taça do Mundo de Futebol) estava em reformas. A cidade conta ainda com palácios; como o palais Longchamp, construído no século XIX, onde está situado o Museu das Belas Artes e de História Natural; ou o palais Pharo, antiga residência imperial contruída por Napoleão III, castelos, jardins e parques, como o surpreendente Parque Borely, que valem a pena a visita.

Fort Saint-Jean

Fort Saint-Jean

E aí, tem como não amar?

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Sonho, enigma nosso de cada noite

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Eu era uma pessoa sem sonhos. Sim, eram muito raros e enigmáticos os meus sonhos. Me dava ao luxo de ter uns quatro por ano, e só. No começo me assustava. Pensava com meus botões, como pode alguém não sonhar? Dormir uma noite inteira e ao acordar não se lembrar de ter tido um momento sequer de fantasia, de ficção? Nem um pequeno flash de lembrança? É, realmente terrificante. Depois me acostumei, me acostumei a ser uma mulher sem sonhos.

Tudo bem, eu pensava. Não sonho dormindo, mas compenso sonhando acordada. Sempre tive a mania de sonhar acordada. Talvez por isso seja privada de sonhos noturnos. Gasto toda a minha cota de sonhos durante o dia e à noite minha cabeça se esvazia por completo. Pode ser, pode ser, imaginava.

Sentia uma inveja infantil ao ouvir as pessoas contarem seus sonhos loucos e absurdos; de gente que escreve textos e livros inteiros inspirado em sonhos, com enredos impressionantes (Frankestein é um baita exemplo – pesadelo maravilhoso de Mary Shelley). O filme “O Exterminador do Futuro”, também foi concebido a partir de um pesadelo. Mesmo invenções, descobertas científicas, como a tabela periódica e a estrutura do código genético, só foram possíveis através de sonhos reveladores. Como esquecer a maçã que acordou Isaac Newton de seu sonho e o fez decifrar a teoria da gravidade (verdade ou mito, pouco importa).

Sempre adorei livrinhos de sonhos. Lembro que meu pai tinha uns três (que ainda estão lá em casa), hoje velhos e mofados, mas que guardam em si as lembranças do meu velho, e por isso, todos os sonhos do mundo. Quando criança ficava tão feliz ao sonhar, que corria para o colo do meu pai, que com o livrinho do significado dos sonhos, era o único que conseguia decifrá-los. Ficávamos horas rindo e “descobrindo” os diversos significados intrínsecos nos meus (raros) sonhos de menina. Claro que escolhíamos sempre o mais alegre, o que trazia coisas boas. Sai pra lá mau agouro!

Mas o mais fascinante é que depois de desembarcar em território francês meus sonhos perdidos voltaram a me embalar. Como mágica, quase todas as manhãs, acordo com um enredo do que foi a minha noite na cabeça. E não raro, acordo mesmo assustada, com ações realmente absurdas, que todo o bom sonho deve conter. Por ironia do destino talvez, foi a França que devolveu meus sonhos! A França que me permitiu voltar a sonhar! E que continue assim, estou adorando ser uma mulher de sonhos.

Merci beaucoup, France!

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A culinária francesa me conquistou

Toda a dona de casa que se preze sabe que muitas vezes, a qualidade dos alimentos utilizados se sobrepõe a própria habilidade para cozinhar. Não que eu seja uma exímia cozinheira, mas aprendi (leia-se me obriguei) a cozinhar justamente na França, o berço da culinária mundial.

Uma das coisas que eles prezam muito, e talvez more aí o segredo da excelente culinária francesa é muito simples. É justamente a qualidade dos ingredientes utilizados em cada receita. Essa escolha é imprescindível e por isso os franceses largam em vantagem em relação aos brasileiros. A qualidade e a diversidade de certos produtos existentes por aqui fazem toda a diferença no resultado final dos pratos.

E isso nada tem a ver com o glamour que a culinária francesa ganhou no mundo todo. A lógica serve também para pratos simples que, com ingredientes de qualidade, são responsáveis pela quase totalidade do sucesso da receita.

É interessante comparar também a diferença de alguns hábitos dos dois povos. Os franceses seguem a risca as receitas, sem tantas invencionices, como nós brasileiros costumamos fazer. Amo a criatividade e a capacidade de adaptação do povo brasileiro. Muito além da culinária, essa é uma lição para a vida.

Aqui vai uma lista de pratos e ingredientes franceses que aprendi a amar e que vão fazer muita falta quando voltar ao Brasil:

  1. Os maravilhosos iogurtes franceses. Uma variedade e qualidade absurda, que deixa no chinelo nossos iogurtes, que aliás, nem mereciam esse nome!
  2. Os queijos franceses!!! Não é de hoje que sou fã, completamente apaixonada por queijos!! Aqui na França, me realizo toda vez que vou ao mercado e com menos de dois euros volto com um pedaço de queijo diferente!! E um melhor do que o outro. Eu prefiro os mais fortes, meus preferidos são: Bleu, Roquefort (com mofinho…adorooo), Brie, Camembert, queijo de cabra, cantal, Comté…(resumindo, todos são meus preferidos!! Hahaha)
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  3. Vinhos…ah, os vinhos!! Motivo e orgulho e prestígio internacional, nem preciso dizer que são maravilhosos!! Conseguiram me conquistar, e olha que sempre detestei vinho!! Prefiro o vinho rosé, mas o rouge e o blanc também são muito bons…sem esquecer da champagne neh! E as cervejas belgas também!
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  4. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas os salames franceses são maravilhosos!! Eles fazem uma mistura que ainda não vi no Brasil. Tem salame com queijo roquefort, com nozes, com ervinhas…muito gostosos mesmoooo
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  5. Chocolates!! Ah, os chocolates belgas vão me fazer muita falta. Acho que nem preciso explicar o motivo neh!!
  6. Bom, agora vamos aos pratos que conheci e amei!! A Raclette, que tem uma espécie de chapa com forminhas onde são colocados os queijos (especiais para raclette). Depois de derretidos, são despejados em cima de frios e batatas. Maravilha quase nada calórica também!! hahaha
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  7. O Aligot, que é um purê de batatas com queijo (cantal) e creme de leite que estica muito (veja a foto de um profissional aqui: http://migre.me/hTNwK) e fica dos deuses!!
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  8. O casse-croute, que resumindo é qualquer sanduíche (aqui eles usam principalmente a baguete) que faz croc quando se morde! Sanduíche no forno, enfim.
  9. O Croque-monsieur, que é uma espécie de sanduíche que vai no forno, feito com pão, queijo e presunto. Com uma cobertura de ovo e creme de leite. Simples e gostoso.
  10. Pain au chocolat, as Madeleines (já fiz um post especialmente delas. Veja aqui: http://migre.me/hTMJq) e os croissants também vão fazer falta.

Por enquanto são esses que me lembro. Vou postando quando lembrar ou experimentar/descobrir outras delícias francesas!

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Revirando o meu baú de memórias

Confesso que sempre nutri uma pontinha de inveja de crianças que tinham como pais grandes escritores e pensadores. Crianças que cresceram com pais que liam muito, que tinham bibliotecas com milhares de livros sempre ao alcance das mãos. Na minha fantasia, mesmo depois de grande, muitas vezes me imaginei filha de meus escritores favoritos (eles não tem as melhores reputações do mundo, eu sei), como Nelson Rodrigues, Sade, Bukowski, Baudelaire, Nietzsche, Kafka, Hemingway, entre outros tantos.

Felizmente, com o passar do tempo, descobri que meu pai, com toda a sua simplicidade, era um livro vivo. Mesmo sem ter concluído o ensino fundamental, e jamais ter escrito, ou publicado nada, devo a ele meu mergulho inicial no mundo da fantasia. Ele era o que se pode chamar de um verdadeiro contador de histórias, e dos bons. Ele me fazia dormir. Dormir não, pois eu não dormia, eu embarcava com ele nas mais diversas narrativas.

Lembro até hoje com carinho do personagem Zepinho, que na verdade era ele mesmo, e suas peripécias na colônia. Me divertia com histórias em que Zepinho se metia em inúmeras confusões, como na vez em que enterrou um galo vivo para se livrar das obrigações diárias na pequena propriedade rural em que vivia. Claro que seus contos sempre apresentavam um senso moral, sutilmente dizendo por qual caminho eu deveria seguir.

O mais fantástico é que meu pai conseguia narrar as histórias de forma linear, quase como uma novela. Apesar do seu pouco conhecimento acadêmico, era um contista nato. Eu esperava ansiosamente cada noite chegar para ir com ele para a cama, deitar sobre sua imensa barriga, que sempre foi o melhor lugar do mundo para me aconchegar, e começar a viajar. Essa é uma das memórias mais bonitas que guardo comigo do meu velho pai. Eram momentos só nossos que eu nunca vou esquecer.

Depois disso ainda ia para o meu quarto, onde minha mãe lia histórias de livros para mim. Assim eu cresci, rodeada de amor, livros e histórias. Ninguém ia dormir sem contar ou ouvir uma fábula. E foram essas histórias que embalaram meus sonhos. Não, eu não poderia desejar uma infância melhor.

Tempos felizes que guardo no coração. Meus pais não eram escritores famosos, grandes poetas ou literatos, mas eles me fizeram crer que é sempre possível escrever e contar uma nova história. Mudar as tintas e matizes para vivenciar um novo final. Tem legado mais singelo e verdadeiro que esse? Obrigado pai, obrigado mãe. Vocês foram muito mais do que eu merecia e tudo o que eu precisava!

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Orgulho pintado de verde e amarelo!

Brasil, meu Brasil brasileiro...

Brasil, meu Brasil brasileiro…

Relógio, objeto inanimado, que conta as horas. Faz o tempo passar. Por vezes se arrastando como um condenado no corredor da morte; por outras a passos largos, rápido e devastador como um terremoto no Japão.

Objeto inanimado? Eu diria que é quase um ser humano. Com vida e sentimentos próprios, que adora contrariar os meus desejos. E por isso que ainda que sob uma enxurrada de críticas, sigo no fluxo contrário.

As pessoas não entendem (ou não querem entender) que os relógios do meu computador e do meu celular são como um cordão umbilical. É a minha representação de Edvard Munch no famoso “O Grito” – é o meu grito. Tão meu, tão singelo, tão particular. O único elo que restou.

Minhas horas por aqui seguem as batidas do meu coração! E o meu coração é muito verde e amarelo, sim senhor! Portanto, o ritmo da minha vida segue sendo ditado pelo horário do Brasil.

Vivo aqui, mas sempre com um pezinho por lá, lembrando de onde eu vim e para onde eu vou voltar, feliz. Meu lugar não é aqui na França. Estou aqui de passagem e meu relógio serve para me mostrar isso todas as horas, todos os minutos, todos os segundos. Vivo fazendo cálculos para saber que horas são por aqui, mas não me arrependo. Foi assim que aprendi a viver, dando valor às minhas origens, às pessoas que eu amo e que realmente se importam comigo.

Em uma incursão recente pelo facebook, dei de cara com o documentário intitulado “Orgulho de ser brasileiro”, dirigido e produzido pelo jornalista Adalberto Piotto, que questiona: “Você tem orgulho de ser brasileiro?”. Através de entrevistas com personalidades como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o treinador de futebol Carlos Alberto Parreira, a ex-senadora Marina Silva, o artista plástico Romero de Brito entre outros tantos, o filme é um ótimo convite para questionarmos os problemas e as qualidades do Brasil.

Eu nem preciso dizer que, mesmo sem negligenciar as diversas dificuldades que o meu país enfrenta, tenho um orgulho imenso de ter nascido brasileira. Meu ritmo é esse. Quem quiser, que ajuste seu relógio e me acompanhe. Quem não quiser, désolé!

 

P.S 1 Deixo o link do site oficial do filme, com o trailer: http://orgulhodoc.com.br/

P.S 2 Parem de insistir!! Não vou mudar o horário do Brasil dos meus relógios! Muito obrigado pela compreensão!

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Funk Ostentação X discrição francesa

E na época em que o Brasil foi tomado pelo movimento saído da baixada santista, denominado Funk Ostentação, me encontro em outra porção do oceano, onde a discrição é fato consumado. Diferentemente do que entoam as letras desse novo gênero musical brasileiro, onde ter é mais importante do que ser; onde ostentar virou lei, virou certo, virou obrigação, a França me ensinou exatamente o oposto.

Inacreditavelmente, no país famoso pela moda, elegância e marcas famosas, aprendi o desapego. Aprendi a ser mais simples. Aprendi a dosar, aprendi a escolher, aprendi que não preciso de muito para viver e ser feliz. Aprendi, aliás, que a felicidade não está diretamente ligada aos cifrões da conta bancária, ou às roupas de marca que você desfila.

Claro, não serei hipócrita a ponto de dizer que o dinheiro não importa. Calma gente, não vou virar hippie, peregrina ou entrar para uma nova seita. O dinheiro traz sim um conforto que é muito importante, nos deixa mais tranquilos e leves para seguir a vida. Com dinheiro já teria viajado muito mais pela Europa, conhecido muito mais gente e engolido muito menos sapo. Mas o que quero dizer é que o dinheiro não é a essência da felicidade, o dinheiro por si só não pode fazer nada.

Na França, ao contrário do que acontece no Brasil, os ricos andam de ônibus, de trem, de metrô; eles estão na mesma fila de hospital que eu; eles vestem as mesmas roupas. Claro que as condições aqui são muito mais igualitárias do que as que estamos acostumados por aí. E é essa estrutura, atrás de serviços simples que o governo proporciona, que faz toda a diferença. Aqui seria bizarro uma matéria jornalística apresentando um prefeito, ou qualquer detentor de alto cargo utilizando serviços públicos. Seria bizarro simplesmente porque é a coisa mais normal do mundo.

Isso me chateia um pouco. Essa desigualdade toda que vivemos no Brasil é triste, é alimentada há anos, e não vejo perspectiva de mudança em um curto espaço de tempo. Não há mudança sem esforço, e não consigo ver esse ânimo, essa coragem, esse empenho para mudar. Por esse, e só por esse motivo, o sonho de ostentar que tem o pobre, o morador da favela, é perfeitamente compreensível. Em um país onde a população está cansada de tanta diferença social, nada mais natural. Nada mais natural do que matar o outro por um tênis, por uma corrente de ouro, por um automóvel. Nada mais natural.

O Brasil é muito bem visto por aqui. Já ouvi de professores que o nosso país é o lugar do futuro. Fico na torcida para que consigamos aproveitar essa boa fase, onde somos uma aposta internacional, para realmente transformar esse lugar que eu amo, esse que é o meu lugar, em um país melhor. Que esse futuro prometido esteja mais próximo do que possamos imaginar.

Mas enquanto o futuro não chega, movimentos como o Funk Ostentação – mais do que simplesmente críticas, ofensas e deboches – merecem uma reflexão para tentarmos entender como funciona a difícil engrenagem da sociedade em que vivemos e consigamos idealizar, projetar, e construir, tijolo por tijolo, a sociedade que queremos.

Ps.: Para ilustrar melhor esse movimento, deixo um filme realizado esse ano, que explica a origem do Funk Ostentação e ajuda a dimensionar o sucesso que ele conseguiu atingir (em diferentes classes sociais, diga-se de passagem), em muito pouco tempo. Viva o Brasil, viva a multiplicidade cultural!! Antes de criticar e desferir todo o seu preconceito, melhor dar uma olhadinha…
http://www.youtube.com/watch?v=XQOemtven7E

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Em busca do meu sonho francês – parte II

Et voilà...

Et voilà…

E essa minha volta para a França começa com um total sentimento de déjà vu. A impressão que tenho é de que esse lugar permanece igual, imutável, inalterável. Eu fiz tanta coisa, eu vi tanta gente, eu vivi tanto nesses dois meses e meio de Brasil; e La Garde continua rigorosamente a mesma.

Voltei para o mesmo quarto na residência universitária. Voltei para o mesmo G-610. A mesma porta emperrada, a mesma geladeira que não gela, cheia de adesivos esquisitos, o mesmo ralo entupido do banheiro, a mesma pia com a torneira invertida (do azul sai água quente; do vermelho água fria), os mesmos pássaros gigantes fazendo o mesmo ruído, a mesma vista para as árvores, as mesmas marcas no chão e ranhuras nas paredes.

 

Está tudo do jeitinho que eu deixei.

Mas alguma coisa mudou. Espera, quem mudou fui eu!

 

O mundo continua a ser essa coisinha redonda que marcha sempre no mesmo ritmo, entoando a mesma canção, seguindo a mesma direção. Ainda bem que eu mudei! Mudei para aproveitar melhor a vida, mudei para cantar outra música, dançar outra dança. Mudei para vir buscar o que deixei para trás. Mudei para perseguir meu sonho francês!

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Brasileiro, um povo machista

Dizem que precisamos sair para perceber algumas coisas que acontecem na nossa sociedade. Para nos darmos conta de alguns costumes enraizados, precisamos de um distanciamento. Morando na França por quase um ano, percebi o quanto o brasileiro é machista e bitolado. O quanto eu mesma sou (estou tentando mudar) machista também.

Conversando com as pessoas na França e mesmo observando a rotina dos franceses, percebo, através de coisas simples, que na terra de Simone de Beauvoir não existe serviço de homem e de mulher. Em casa eles não só ajudam como tomam a dianteira das atividades do lar, sem problemas.

Consegui vivenciar isso bem de perto quando passei alguns dias na casa de uma família em Lyon. O homem, macho alfa, espécime masculina, era quem fazia a quase totalidade dos serviços domésticos. Lembro que achei aquilo fantástico.

Foi ele quem lavou a louça toda da janta e ainda serviu chá com biscoito para a esposa, que repousava tranquilamente no sofá. O melhor de tudo é perceber que esse é um comportamento natural naquelas terras, nascido graças à educação recebida em casa. Os meninos fazem o serviço doméstico normalmente. Não é algo que fica restrito às meninas, como acontece, muitas vezes, no Brasil.

Em outra oportunidade, durante uma confraternização que aconteceu depois de uma apresentação de coral, impressionantemente quem varreu o salão no final do evento foi um homem. E não era novinho não, devia ter lá seus 60 anos. Fiquei revirando a minha memória para vasculhar uma cena semelhante em uma festa lá pelas minhas bandas, no sul do Brasil. Não lembro de nada parecido!

Não lembro porque não aconteceu. Nunca. Nunca um homem empunhou uma vassoura para fazer uma boa faxina. Ainda mais depois de uma festa e com mulheres presentes. Infelizmente o serviço sobra sempre para elas.

Pude perceber meu pensamento machista porque, ao olhar as duas cenas, fiquei com pena do homem e pensando: “mas que mulheres relaxadas. Porque deixam tudo para o coitado do homem?”. Imediatamente me dei conta do que estava fazendo e espantei esse pensamento para longe. Os homens têm sim que fazer tudo de forma igualitária. Vamos lá macharedo, empunhem suas vassouras!

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