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Revirando o meu baú de memórias

Confesso que sempre nutri uma pontinha de inveja de crianças que tinham como pais grandes escritores e pensadores. Crianças que cresceram com pais que liam muito, que tinham bibliotecas com milhares de livros sempre ao alcance das mãos. Na minha fantasia, mesmo depois de grande, muitas vezes me imaginei filha de meus escritores favoritos (eles não tem as melhores reputações do mundo, eu sei), como Nelson Rodrigues, Sade, Bukowski, Baudelaire, Nietzsche, Kafka, Hemingway, entre outros tantos.

Felizmente, com o passar do tempo, descobri que meu pai, com toda a sua simplicidade, era um livro vivo. Mesmo sem ter concluído o ensino fundamental, e jamais ter escrito, ou publicado nada, devo a ele meu mergulho inicial no mundo da fantasia. Ele era o que se pode chamar de um verdadeiro contador de histórias, e dos bons. Ele me fazia dormir. Dormir não, pois eu não dormia, eu embarcava com ele nas mais diversas narrativas.

Lembro até hoje com carinho do personagem Zepinho, que na verdade era ele mesmo, e suas peripécias na colônia. Me divertia com histórias em que Zepinho se metia em inúmeras confusões, como na vez em que enterrou um galo vivo para se livrar das obrigações diárias na pequena propriedade rural em que vivia. Claro que seus contos sempre apresentavam um senso moral, sutilmente dizendo por qual caminho eu deveria seguir.

O mais fantástico é que meu pai conseguia narrar as histórias de forma linear, quase como uma novela. Apesar do seu pouco conhecimento acadêmico, era um contista nato. Eu esperava ansiosamente cada noite chegar para ir com ele para a cama, deitar sobre sua imensa barriga, que sempre foi o melhor lugar do mundo para me aconchegar, e começar a viajar. Essa é uma das memórias mais bonitas que guardo comigo do meu velho pai. Eram momentos só nossos que eu nunca vou esquecer.

Depois disso ainda ia para o meu quarto, onde minha mãe lia histórias de livros para mim. Assim eu cresci, rodeada de amor, livros e histórias. Ninguém ia dormir sem contar ou ouvir uma fábula. E foram essas histórias que embalaram meus sonhos. Não, eu não poderia desejar uma infância melhor.

Tempos felizes que guardo no coração. Meus pais não eram escritores famosos, grandes poetas ou literatos, mas eles me fizeram crer que é sempre possível escrever e contar uma nova história. Mudar as tintas e matizes para vivenciar um novo final. Tem legado mais singelo e verdadeiro que esse? Obrigado pai, obrigado mãe. Vocês foram muito mais do que eu merecia e tudo o que eu precisava!

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Um gorila em minha cama

Meu gorila lindão!

Meu gorila lindão!

Quem me conhece sabe que não sou exatamente uma pessoa normal. Fujo completamente do estereótipo de princesinha gaúcha (apesar do meu rosto meigo enganar bem os desavisados). Meus gostos musicais, amorosos e mesmo culinários realmente não são, e nunca foram, uma unanimidade. O que não é problema nenhum, na minha humilde opinião.

Então, para não contrariar minha, digamos assim, excentricidade, ao invés de trazer na mala bonecas que lembram a infância, ou ursinhos de pelúcia amarelados pelo tempo, resolvi dividir a minha cama na França com um lindo gorila, que convenhamos, é muito mais a minha cara. Nunca pensei que um bichinho de pelúcia pudesse fazer tanto sucesso.

Ele fica o tempo inteiro comigo, no meu gigante quarto de 9m².Com ele divido tudo, momentos bons e ruins. Choro de saudade abraçada nele até pegar no sono e dou gargalhadas com ele contando novidades do meu dia. Faço discursos e dou broncas intermináveis olhando bem nos olhos do bichano. Sem falar da mais nova utilidade dele, servir de escoro para as costas, para me abrigar da parede gelada desse inverno francês, enquanto leio ou estudo na cama.

Quem entra no meu quarto não consegue ficar indiferente ao se deparar com essa figurinha na minha cama. Com olhinhos muito negros e simpáticos, e uma vasta cabeleira igualmente escura, esse animalzinho é a atração do meu quarto, arrancando risos e expressões de espanto das pessoas. Nem os mais tímidos se contém. Todos querem saber que bicho é aquele e por que o carrego comigo.

Na verdade trouxe-o na mala sem muito planejamento prévio. Como já dormia com ele no Brasil (sim, durmo com bichos de pelúcia desde que me conheço por gente e acho que vou morrer assim), nada mais natural do que ele embarcar comigo nessa viagem louca e nada convencional. Esse gorila é realmente meu companheiro de aventuras. Ele ajuda a embalar meus sonhos e fazer meus dias por aqui um pouco mais divertidos e menos entediantes e solitários.

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