2015

A simplicidade de um imortal

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Não é à toa que Ernest Hemingway, escritor norte-americano, conquistou o Nobel de Literatura em 1954. Logo nas primeiras páginas de “O Velho e o Mar”, fica claro se tratar de uma verdadeira obra-prima.

Foi depois de muita insistência que resolvi ler Hemingway. Em minhas aulas de jornalismo, e mesmo indicado por amigos, o nome me soava familiar, mas nunca realmente havia me interessado em percorrer suas páginas.

Foi a solidão que me levou a buscar o autor. E por estar vivenciando um momento muito parecido com o do velho pescador Santiago, personagem principal do livro, que me identifiquei tanto com as suas palavras. “É tolice não ter esperança, pensou. Além do que, suponho que é pecado”, afirma o velho durante sua luta pessoal com o mar, onde mostra que o mais importante não é o resultado final, mas sim não desistir. É preciso lutar com bravura, aceitar o fardo dado a cada um e carregá-lo até onde as forças permitirem.

A simplicidade com que o autor escreve e a profundidade de suas metáforas são um deleite à parte. Apesar de curto, um livro para ser devorado de uma vez só, traz lições e pensamentos tão densos quanto o próprio mar que o personagem atravessa.

Com todas as injustiças que nos cercam, a história do velho Santiago é tão real nos nossos dias que essa deveria ser uma leitura obrigatória para a formação humana. A luta de classes, o respeito aos mais velhos, a queda de braço entre o homem e a natureza, tudo está presente neste livro, que em poucas páginas conseguiu, com toda a justiça, fazer de Hemingway um imortal.

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Por um mundo com mais intervenções urbanas do bem

Na contramão da pressa do dia a dia, do ritmo frenético das cidades, uma pausa para admirar o cenário. Uma frase positiva, que estimula a reflexão e diminui o ritmo pode ser uma saída. É a arte modificando a vida urbana de forma criativa e bem humorada. Ideias do bem sempre ganham espaço!

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Intolerável mundo novo

“Nous crayons seront toujours mieux taillés que vos balles”

O sangue dos jornalistas do Charlie Hebdo respingou no mundo todo, mas principalmente na classe jornalística, na qual me incluo.

Depois de morar por dois anos no sul da França, onde existe uma grande quantidade de muçulmanos – e também por se tratar de uma região famosa pela força da política de extrema direita (que se ergue cada dia com mais violência) – fico receosa com a repercussão e a proporção que esse fato pode vir a tomar.

Explicando o meu ponto de vista: o preconceito contra esse povo (muçulmano) é notório por lá. A partir desses acontecimentos, acredito que essa situação tende a piorar ainda mais. É a velha história de colocar tudo em um mesmo saco, de julgar todos como terroristas só porque praticam a mesma religião.

Na França acredito que a intolerância pode até (em casos mais extremos) se voltar aos estrangeiros de um modo geral, o que resultaria em uma onda xenofóbica sem precedentes. Por isso, vejo com tamanha importância a palavra do governo francês que reforça quase que diariamente que a guerra é contra o terrorismo e não contra o Islã. E meus olhos se voltam com enorme preocupação para determinadas publicações e jornais televisivos brasileiros que (não sei se por desconhecimento ou má fé) enaltecem o terror sem diferenciar seus atores dos praticantes da religião, promovendo um desserviço ao seu público.

Espero que o mundo todo se utilize desse lamentável episódio para repensar seus conceitos e preconceitos. Que isso sirva de lição para construirmos elementos de paz, tolerância e caridade. Em Caxias do Sul (onde recebemos diariamente imigrantes muçulmanos oriundos do norte africano) e no resto do mundo.

OBS.: deixo aqui o link com um resumo da edição mais recente do Charlie Hebdo. Para guardar na memória e para que esses atos nunca mais se repitam, sejam seus atores de qual lado estiverem.

http://migre.me/o7NzY

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Dias vão, outros vem…

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Final de ano, mais um ciclo que se encerra. São mais 365 dias que ficam no passado e entram para a história de nossas vidas. Momento de renovação, de faxina geral, de sacudir a poeira, levantar a cabeça e rodar a baiana. Acredito que não havia melhor hora para reinaugurar este blog. Um pouco nostálgico, talvez, mas agora de vida nova. A França e o sonho francês fazem agora parte da minha história. Pedras fundamentais para o meu crescimento e amadurecimento, que estarão guardados com carinho no meu baú para uma revisitada sempre que preciso for.

Depois de colocada essa, que considero a última pá de cimento em cima disso tudo, revestida com o sorriso e a alegria das terras brasileiras (e com a certeza de que melhor lugar não há), com a proximidade do verão, do ano-novo e do carnaval, posso dizer que estou realizada e plenamente feliz. Feliz pelas conquistas passadas, realizada com o presente e com uma expectativa imensa de futuro, seja ele profissional, pessoal ou espiritual. Seja bem vindo 2015, estou pronta para o que der e vier. Que eu possa continuar a ser brindada com as boas novas da vida. Que as tristezas e decepções que aparecerem (sim, elas são inevitáveis), cheguem de mansinho, embrulhadas em um papel fino e charmoso, com um laço dourado, e que seu prenúncio e anunciação não sejam assim tão devastadores.

Que a vida continue a me proporcionar experiências únicas e pessoas incríveis, como as que vivenciei nesses dois anos no exterior. Que meus olhos não se acostumem com a paisagem, e que a cada novo passeio, mesmo que sejam pelos mesmos velhos lugares, que consiga enxergar novas formas, perspectivas e cores. Que eu siga nessa grande roda gigante da vida, ora voando, ora colada ao chão, sem perder um detalhe sequer. Que o frio na barriga e o rubor nas bochechas nunca me abandonem. Enfim, que eu nunca perca a coragem e o tesão pela vida. Esse é o meu desejo para mim e para vocês!

OBS.: tiro a poeira deste blog, mas o mantenho com o mesmo nome. Afinal, um sonho francês não morre jamais!

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